CONTRA O GOLPE CIVIL EM CURSO E A FAVOR DA DEMOCRACIA

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Filme do Dia: Hey There (1918), Alfred J. Goulding





Hey There (EUA, 1918). Direção: Alfred J. Goulding. Com: Harold Lloyd, “Snub” Pollard, Bebe Daniels, June Havoc, William Gillepsie, Billy Fay, Gus Leonard, Lige Conley, Sammy Brooks.


Rapaz (Lloyd) admirador de estrela de cinema (Daniels) tem que burlar a segurança do estúdio para conseguir entrar e, após aprontar inúmeras confusões, consegue encontra-la e falar das cartas que lhe escreveu por alguns segundos, antes de fugir do estúdio quando da chegada de um de seus perseguidores.

Curta rotineiro produzido por Hal Roach que,como inúmeras comédias de então (The Cinema Director, A Movie Star,  Dia de Estreia) tematiza um ou outro aspecto do universo do cinema (exibição, produção, star system, etc.). Desistindo do personagem de Luke, Lloyd aqui já começa a burilar a sua nova persona, calcada em seu próprio nome; se aqui trata-se de um anônimo “rapaz” nos créditos, visualmente já se encontra bem próximo da personificação através da qual Lloyd ganhará notoriedade, com um visual algo almofadinha, que inclui um boné aparentemente largo demasiado grande para sua cabeça e os óculos de aro e, no comportamento, a sua paixão arrebatadora por alguma jovem e uma timidez crônica. Lugares-comuns associados a esse universo de representação da indústria cinematográfica como o da entrada como penetra, que décadas depois ainda se encontrava em uso com Jerry Lewis ou da entrada nos camarins das estrelas, habituais igualmente no universo da animação, assim como confusões que ocorrem nos próprios sets de filmagens ganham bastante destaque.  Rolin Films para Pathé Exchange. 10 minutos e 18 segundos.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Filme do Dia: Mulheres da Beira (1923), Rino Lupo & George Pallu


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Mlheres da Beira (Portugal, 1923). Direção: Rino Lupo & George Pallu.  Rot. Adaptado: Rino Lupo, a partir de conto de Abel Botelho. Fotografia: Artur Costa de Macedo. Montagem: Marie Meunier & George Pallu. Com: Brunilde Júdice, António Pinheiro, Mário Santos, Rafael Marques, Maria Júdice Caruson, Celeste Ruth, Duarte Silva, Marina Santos.

Ana (Júdice) é a bela filha de um homem pobre e viúvo, Pedro (Pinheiro). Certo dia um amigo de Pedro lhe dá o conselho dela ir à cidade mais próxima do povoado em que vivem, em Arouca, trazer pães para vender e ganhar alguns trocados. Ela fica entusiasmada com a experiência e bastante encantada com o mundo que não conhecia de Arouca, de mulheres que se vestem bem e dos homens fidalgos. No caminho para lá, desperta a paixão de André (Santos), um pastor de ovelhas. Em Arouca do Fidalgo da Mó (Marques). Sofrendo eventuais maus tratos do pai rude, Ana confessa a tia que irá fugir com o Fidalgo, que lhe prometeu uma vida de luxo no Porto. De fato, ele cumpre a promessa, mas em pouco tempo se interessa por outra mulher, que se torna sua amante e a expulsa de casa. Ela tenta voltar a casa do pai, mas é renegada igualmente por este ao saber que ela devolvera as joias que havia ganho de presente. Tenta ser aceita pelas freiras do convento, mas quando essas sabem dela se encontrar grávida, afirmam que não podem ficar com ela. Volta ao campo onde reencontra André, obcecado por ela desde então, mas afirma que já não é mais pura para se unir a ele, matando-se.

Produção que, mesmo com todo o previsível enredo marcadamente melodramático e fatalista já prenunciado em sua primeira cartela (“Menina não seja vacia/Recolha seus pensamentos/Que Beijos são impostura/Palavras leva-as o vento”) consegue construir, sobretudo em parte de sua primeira metade, uma tocante e sensível descrição do crescente entusiasmo e abertura de Ana para o mundo. É certo que o filme não constrói exatamente a contento a ambiguidade entre a legítima curiosidade diante de um mundo até então desconhecido – e o filme não se escusa em mostrar uma panorâmica do Porto quando a tia lembra o tempo que lá vivera e o quão infinitamente mais pujante era a cidade em relação a Arouca – e a oportunidade de deixar de ser subjugada pelo pai entrevista na fuga que une o casal com pretensões bem diversas às habitualmente românticas. A singeleza do momento inicial, quando ainda não se encontra posta a tessitura algo banal e engessada de sua trama e a forma delicada com que enquadra Ana em meio às paisagens de Arouca ou do campo chegam a ser evocativas do contemporâneo Nosferatu, de Murnau. O italiano Lupo, é um dos cineastas pioneiros mais profícuos do cinema português. No plano visual destaque para o momento em que Ana se encontra a janela e se observa algo da movimentação cotidiana ao fundo em contra-luz provocando um belo (e raro no período) efeito. É curioso como seu título dá pistas de que a postura de Ana poderia valer para as mulheres da região como um todo, e que sua tia, de certo modo, já prefigura algumas das situações vivenciadas (de outras ela ou o próprio filme se resguardam de apresentar) por ela. Salta aos olhos o quão mais bem resolvida é a narrativa, podendo inclusive imaginá-la como mais próxima do período sonoro, que suas equivalentes brasileiras. Trata-se de uma cópia restaurada e musicada em 2007. Invicta Film. 84 minutos.


quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Filme do Dia: Space Kid (1966), Seymour Kneitel








Space Kid (EUA, 1966). Direção: Seymour Kneitel. Rot. Original: Irving Dressler. Música: Winston Sharples.

Mesmo sendo um dos últimos exemplares da série Noveltoons (1943-67), procurou se adaptar tanto em termos temáticos – lidando com o universo do espaço, então bastante em voga e não mais com fantasias tradicionais, motivo básico dos desenhos tradicionais da série – quanto de estilo e modo de produção, mais próximo de traços sem grande riqueza de direção de arte que invadiam as televisões então. O filme inteligentemente inverte a usual lógica de uma criança terrestre se aventurando pelo espaço, apresentando um garoto extraterrestre que decide visitar a Terra a partir de um conselho da mãe que, incomodada com sua bagunça dentro de casa, indaga se ele não prefere passear pelo espaço.  Pena que tal criatividade não fique demonstrada no próprio corpo do episódio, que tira de um único e exclusivo motivo: o fato da criança ficar cuidando de um bebê enquanto sua mãe vai ao supermercado e faz de tudo para que nenhum barulho a perturbe. Foi lançado mais de um ano após a morte do veterano realizador Kneitel. 5 minutos e 27 segundos.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Filme do Dia: L'Invitation au Voyage (1927), Germaine Dulac



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L’Invitation du Voyage (França, 1927). Direção: Germaine Dulac. Rot. Adaptado: Germaine Dulac & Irène Hillel-Erganger, a partir de um poema de Baudelaire. Fotografia: Paul Guichard & Lucien Bellavoine. Cenografia: César Silvagni. Com: Emma Gynt, Raymond Dubreuil, Robert Mirfeuil, Paul Lorbert, Tania Daleyme, Djemil Anik, Lucien Bataille.

Mulher (Gynt), cansada do marasmo de seu casamento, resolve sair para a noite e, na boate, sente-se atraída por um marinheiro (Dubreuil) do qual, após certo tempo, aproxima-se. Pouco tempo depois, no entanto, o marinheiro passa a dar atenção a outra mulher, dançando com ela, mesmo enviando flores para a primeira. A mulher decide ir embora. O marinheiro, após afastar a segunda mulher de si, sente-se triste por não ter conseguido concretizar a fantasia de leva-la a conhecer seu barco.

Nessa adaptação de um poema de Baudelaire o que mais se destaca é o forte simbolismo associado ao desejo. E aqui conquistando uma representação apropriada ao imaginário sobre o desejo feminino, bem menos objetivo e visual que o masculino, e repleto de simbologia e evocações que bem poderiam justificar o título – “o convite a uma viagem” – para além desse também ser o nome da boate no qual se encontram e se encontrar gravado no barquinho que ele compra para ela. Trata-se, sem dúvida, do convite a uma viagem pelos devaneios de sua protagonista. Nesse sentido, sua cartela inicial já justifica, talvez à guisa de uma possível rejeição do espectador que se trata de “uma história simples”. Na sua ânsia por um cinema puro, existe uma negação ao máximo das cartelas, associadas ao dramático tradicional, ao literário, ao teatral e o desejo de se aproximar das artes visuais e da música, sendo essa uma importante peça de articulação com as imagens – composta aqui, para a versão de 2002. 36 minutos.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Filme do Dia: O Homem Nu (1968), Roberto Santos

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O Homem Nu (Brasil, 1968). Direção: Roberto Santos. Rot. Adaptado: Roberto Santos & Fernando Sabino, baseado no conto de Sabino. Fotografia: Hélio Silva. Música: Rogério Duprat. Montagem: Silvio Reinoldi. Dir. de arte: Romeu Camargo. Com: Paulo José, Leila Diniz, Esmeralda Barros, Irma Alvarez, Ana Maria Nabuco, Osvaldo Loureiro, Íris Bruzzi, Ruth de Souza, Jofre Soares, Milton Gonçalves.
         Conhecedor do folclore brasileiro, o professor Sílvio Proença (José) decide ir a São Paulo, participar de um congresso sobre o tema, deixando a esposa, Mariana (Diniz), no Rio. Porém, impossibilitado de partir, vai dormir com um grupo de boêmios que casualmente encontra no aeroporto, na residência de Marialva (Barros). No dia seguinte, a porta bate quando vai pegar o pão no corredor e ele fica completamente nu. A partir daí começa uma longa e cansativa tentativa de voltar a se vestir que passa por um armário, uma sauna, moradias improvisadas de miseráveis, oficina mecânica e a praia. Ao retornar para casa, flagra a mulher com um amante, Gibson (Forster) e expulsa-o, igualmente nu, da casa. Gibson, no entanto, consegue tirar proveito do fato junto à mídia.

Tendo como mote uma situação típica de pesadelo – como comédia de erros que gira em torno de um único desejo, pode ser traçado um paralelo  com Depois de Horas, de Scorsese – e tendo como protagonista o mais insuspeito tipo classe média, o filme, mesmo com alguns momentos inspirados, encontra-se distante do episódio dirigido por Santos para As Cariocas, mesmo sendo bem superior a refilmagem de 1997. Ao contrário da versão de Carvana, que apenas se limita a tentar extrair humor do fato em si, o filme consegue traduzir melhor a subliminar dimensão que vai além da mera crônica de costumes (especialidade do produtor Fernando de Barros, enquanto cineasta) e enfatiza a rápida transformação de um ser repleto de cultura em um semi-selvagem ansiando pelas necessidades mais básicas. Repleto de episódios irônicos (um deles, em que o protagonista se encontra no veículo de um taxista aloprado seria revivido em Cronicamente Inviável),   faz uso, a certo momento, de fotos fixas, recurso muito utilizado na produção autoral européia contemporânea. Acaba sendo prejudicado principalmente por sua falta de concisão. Paulinho da Viola e o próprio cineasta aparecem em pontas. Wallfilmes/Pel-Mex. 118 minutos.

domingo, 15 de outubro de 2017

Filme do Dia: Red Hot Riding Hood (1943), Tex Avery


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Red Hot Riding Hood (EUA, 1943). Direção: Tex Avery. Música: Scott Bradley.

Esse que é a primeiro de uma série de animações que, devido ao extremo sucesso dessa, Avery desenvolveria na meia dúzia de anos seguintes parodiando a história de Chapeuzinho Vermelho, já apresenta todos os motivos que voltarão a ser explorados posteriormente: auto-referência ao universo de produção (aqui os personagens em seu prólogo convencional reivindicam que a história seja recontada de forma “sexy e urbana”, cansados que estão de reproduzirem sempre o mesmo estilo convencional, numa evidente alfinetada a Disney); referências um tanto evidentes a sexualidade tanto na histeria do lobo, encarnando uma janota que frequenta clubes noturnos, admirando a  dança de Chapeuzinho, uma bombshell mais provocativa do que suas similares de carne-e-osso contemporâneas; e uma vovó moderna e sexualmente ainda ativa, que corre ardentemente atrás do lobo (na versão original, o final os apresentava com filhos, mas foi censurado por alusão à bestialidade). Todos os filmes da série foram inicialmente banidos da televisão por seu conteúdo considerado sexualmente agressivo. Muitos acharam que foi utilizado rotoscópio para a dança de Chapeuzinho, tal a perfeição dos movimentos, o que Avery negou. Loew´s/MGM. 6 minutos e 17 segundos.

sábado, 14 de outubro de 2017

The Film Handbook#146: Rob Reiner

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Rob Reiner
Nascimento: 06/03/1945, Nova York, EUA
Carreira (como diretor): 1984-

Até estabelecer um estilo consistente, Robert Reiner é, no entanto, um dos mais promissores diretores de comédias a emergir da América nos anos recentes. Filho do ator-roteirista-diretor cômico Carl Reiner, ele primeiro se tornou conhecido por suas aparições regulares na série de tv Tudo em Família/All the Family, porém foi sua estreia em longa-metragem Isto é Spinal Tap/This is Spinal Tap>1 que revelou um privilegiado novo talento na direção. Uma sátira de documentário de rock seguindo a nada ilustre turnê americana de uma banda britânica de heavy metal ficcional (mas inteiramente crível), o filme é notável tanto pela precisão de sua paródia dos métodos do documentário de Cinema Direto quanto por sua apaixonada e profunda sátira sobre os excessos da indústria da música: a artificialidade das festas promocionais, as letras vulgares e sexistas e a pose pretenciosas dos músicos, assim como as intrigas mortíferas entre banda e empresariado, todas observadas em no genuíno estilo Direto. Menos original e divertido, mas outra vez notável por uma manipulação hábil dos atores foi A Coisa Certa/The Sure Thing, uma comédia road-movie admiravelmente livre das grosseiras insinuações de duplo sentido da maior parte dos dramas românticos adolescentes.

A mais apaixonada obra de Reiner até o momento, no entanto, foi Conta Comigo/Stand by Me>2 uma sutil comédia sobre os ritos de passagem para a adolescência, baseado em um conto de Stephen King, no qual quatro garotos de doze anos despendem um arrastado e calorento final de semana de verão, em 1959, procurando pelo corpo de outro rapaz. O humor permanece a força dominante do filme enquanto segue as aventuras do grupo - um encontro com um cão feroz, discussões sobre o porque da série televisiva Caravana/Wagon Train nunca ir para lugar nenhum, ruídos sinistros de animais na floresta à noite - enquanto Reiner, de modo sutil e não sentimental, transforma a odisseia numa elegia da camaradagem juvenil, marcada pela mortalidade (o irmão de um dos quatro morreu recentemente) e confusão sobre os equívocos da vida adulta (um é vítima de engano do professor, outro é equivocadamente considerado um delinquente). Caracterizado intensamente, pungente e nostálgico, repleto de palavras de baixo calão e divertido, o filme é uma pequena joia. Desapontadoramente, no entanto, A Princesa Prometida/The Princess Bride, um atraentemente exagerado, mas irregular, conto de fadas sobre piratas, monstros e feiticeiro ficou a meio caminho entre a habitual paródia e a sincera fantasia infantil.

A despeito da natureza modesta de seus filmes até o momento, Reiner tem se estabelecido tanto como um diretor especialista em atores quanto como artista cômico cuja postura em relação aos seus personagens é entusiasmada, mas nunca paternalista. Seu toque é incomumente leve e modesto - qualidades muito frequentemente ausentes da comédia contemporânea para grande público.

Cronologia
 Os filmes de Reiner são menos precipitados que os de seu pai, um colaborador de longa data de Mel Brooks. De fato, seria mais relevante comparar seu humanismo ao estilo antigo com, digamos, Ritchie ou Demme.

Destaques
1. Isto é Spinal Tap, EUA, 1984 c/Christopher Guest, Michael McKean, Harry Shearer

2. Conta Comigo, EUA, 1986 c/Will Wheaton, River Phoenix, Corey Feldman, Jerry O'Connell

Texto: Andrew, Geoff. The Film Handbook. Londres: Longman, 1989, p. 236.



Filme do Dia: O Espinho no Coração (2009), Michel Gondry

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O Espinho no Coração (L’Épine dans le Couer, França, 2009). Direção e Rot. Original: Michel Gondry. Fotografia: Jean-Louis Bompoint. Montagem: Marie-Charlotte Moreau. Figurinos: Florence Fontaine.

Inicia  de forma passível de ser lida como uma ficção que emula cacoetes documentais, algo nada incomum desde os anos 60, tais como o ajuste de foco em meio a cena em andamento. Pouco depois, no entanto, fica-se sabendo que o intuito desse documentário é se aproximar de uma tia de Gondry, Suzette, e sua família. O filme se avizinha de uma forma aparentemente nostálgica e leve da família Gondry, mas logo as rusgas começam a surgir. O filho de Suzette, Jean-Yves se afirma homossexual e com relação problemática com a mãe, também sua professora na escola. A mãe, afirmar ter sido ele sempre uma pessoa difícil e não necessariamente por ser homossexual, mas sim por ser um fraco. Com alguns  momentos de delicadeza, como a do reencontro da professora com duas de suas ex-alunas, que relembram as canções que cantavam na infância e são acompanhadas por Suzette, ou ainda a da encenação de uma peça infantil filmada em Super-8 e até mesmo de inócuas reconstituições, como a de Jean-Yves preso no banheiro de casa e sendo liberto pela velha mãe. Essa, quando se refere as atitudes do filho à época da morte de seu esposo, afirma ser  ele um espinho em seu coração. Mesmo sendo em vários momentos invasivo, como aquele no qual o próprio realizador concorda em estar sendo cruel ao fazer Suzette chorar ao relembrar o marido, o filme apresenta momentos nos quais as imagens de arquivo são acrescidas de alguma canção e também imagens em stop motion. Gondry é um raro caso de cineasta que transita entre Hollywood (Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças) e um cinema de maior viés autoral europeu, como é o caso desse projeto. Partizan para Mars Distribution. 86 minutos.