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quarta-feira, 15 de julho de 2015

Filme do Dia: A Árvore da Vida (2011), Terrence Malick



A Árvore da Vida (The Three of Life, EUA, 2011). Direção e Rot. Original: Terrence Malick. Fotografia: Emmanuel Lubezki. Música: Alexandre Desplat. Montagem: Hank Corwin, Jay Rabinowitz, Daniel Rezende, Billy Weber & Mark Yoshikawa. Dir. De arte: Jack Fisk & David Crank. Cenografia: Jeanette Scott. Figurinos: Jacqueline West. Com: Brad Pitt, Sean Penn, Jessica Chastain, Hunter McCraken, Laramie Eppler, Tye Sheridan, Fiona Shaw, Nicolas Gonda.
        Jack (McCracken) tem que lidar com o extremo autoristarismo do pai, O’Brien (Pitt), por um lado e com a compensação demasiado afetiva da mãe (Chastain) por outro,  além da trágica morte do irmão do meio, R.L. (Eppler). Tudo isso é filtrado pela mente de um Jack já adulto de meia-idade (Penn).
     Como em outros filmes de Malick não se segue exatamente um enredo com arco dramático convencional e se explora abertamente a dimensão subjetiva, quase sinéstesica mesmo dos sentimentos. Malick, ao se deter no fluxo da memória e de um certo sentido de espiritualidade poderia talvez se encontrar mais próximo de um Tarkovski do que de um Bresson, que faz emergir tal senso a partir da mais chapada realidade cotidiana. E é justamente quando extrapola nessa evocação mística, através de imagens que remetem a origem da própria vida (evocativas de 2001 e inclusive a cargo do mesmo Douglas Trumbull), chegando a apresentar dinossauros, numa longa digressão de sua narrativa, já por demais fragmentada, e embalada por uma trilha musical de colorações sacras, que o filme acabe se tornando mais próximo do desmerecedor título de pretensioso frequentemente imputado as obras de seu realizador. E é quando mais foca na relação de Jack com os pais, sobretudo com o pai, que o filme mais cresce – por mais que a interpretação sensível e matizada do jovem McCraken em seu primeiro filme sofra com o contraste da canastrice de Pitt como chauvinista e violento. É justamente ao apelar para efeitos especias ou imagens fantásticas de gosto duvidoso, já que por demais associadas com clichês “espiritualistas” que o filme também possa ser lido de modo mais rasteiro. Malick se encontra longe das idiossincrasias visuais como as que marcam a relação entre pai e filho no filme homônimo de Sokurov. E sua evocação final ao 8 e ½ (1963) de Fellini foi uma razoável saída para desfecho. Destaque para a interpretação inspirada de Jessica Chastain.  Palma de Ouro no Festival de Cannes. Cottonwood Pictures/Plan B Ent./River Road Ent. Para Fox Searchlight Pictures. 139 minutos.

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