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sábado, 1 de outubro de 2016

Filme do Dia: Tio Vanya em Nova York (1994), Louis Malle


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Tio Vanya em Nova York (Vanya on 42nd Street, EUA/Reino Unido, 1994). Direção: Louis Malle. Rot. Adaptado:  David Mamet, baseado na peça de Anton Tchecov. Fotografia: Declan Quinn. Música: Joshua Redman. Montagem: Nancy Baker. Dir. de arte: Eugene Lee & Daniele Perna. Figurinos: Gary Jones. Com: Wallace Shawn, Phoebe Brand, Lynn Cohen, George Gaynes, Jerry Mayer, Julianne Moore, Larry Pine, Brooke Smith.
          A encenação de Tio Vanya, de Tchecov, sob direção de André Gregory ocorre em um velho teatro semi-abandonado de Nova York. Vanya (Shawn) e seus próximos, a mãe (Cohen), a sobrinha Sonya (Smith) e os serviçais Waffles (Mayer) e Nanny (Brand) tem a sua modorrenta vida provinciana abalada com a chegada do respeitável cientista tio de Vanya, prof. Serybryakov (Gaynes) e sua jovem esposa Yelena (Moore). Junta-se ao grupo, com freqüência quase cotidiana, o idealista médico  Dr. Astrov (Pine). Embora Astrov, com toda sua energia, pareça ser o contraponto dos homens do ambiente, despertando a paixão de Sonya e incomodando a aparentemente impertubável Yelena, confessa numa noite de bebedeira sua incapacidade de sentir algo por ninguém para Vanya. Yelena, por sua vez, que desperta as paixões tanto de Vanya quanto de Astrov, por sua beleza incomum, demonstra ser a mais apática a qualquer tipo de atividade ao seu redor, não se interessando nem pelas discussões topográficas de Astrov e, muito menos, pela quantidade de atividades a realizar na fazenda. Os diferentes rumos que o presunçoso Serybryakov e Vanya pretendem para a propriedade sela um grande conflito familiar que, no entanto, é contornado pelas convenções e expectativas de que tudo retornará ao seu devido local. Serybryakov parte com a esposa assim como, logo depois, Astrov. O retorno à mediocridade massacrante do cotidiano, ansiado pelos serviçais, faz com que Sonya console mais uma vez o tio sobre a inevitabilidade de se continuar a viver sem maiores pretensões que a felicidade no além.
       Essa vigorosa adaptação cumpre o seu papel menos buscando a via da originalidade cinematográfica que simplesmente se rendendo a grandeza incomensurável do texto, adaptado pelo dramaturgo David Mamet. Segue, nesse sentido, adaptações tão diversas quanto as de Henrique V (1945), de Olivier, Longa Jornada Noite Adentro (1962), de Lumet  Quem Tem Medo de V. Woolf? (1965), de Nichols; porém, não só não pretende mascarar sua origem teatral como sequer propõe qualquer elaboração cenográfica ou de figurinos maior (até mesmo por ser quase um registro dos ensaios da montagem da peça de Gregory), ressaltando ainda mais a universalidade atemporal da peça. Malle se concentra apenas no texto e nas interpretações, por sinal admiráveis (com destaque para Larry Pine, principalmente no seu diálogo com Shawn no segundo ato e Brooke Smith) nesse seu tributo à arte teatral. Tudo o mais, seja a seqüência inicial dos atores chegando ao teatro, as breves intercalações de Gregory entre os atos, para indicar sobretudo a passagem do tempo e até mesmo a maravilhosa trilha musical de Redman são adereços, charmosos, porém perfeitamente dispensáveis. Esse, que foi o último filme do cineasta, aproxima-se da colaboração anterior com Gregory, Meu Jantar com André, também com Shawn, pela força que depositada nos diálogos. Channel 4/Mayfair ent./Vanya co. para Sony Pictures Classics. 119 minutos.


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