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quinta-feira, 16 de março de 2017

Filme do Dia: Beijos (1957), Yasuzô Masumura



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Beijos (Kuchizuke, Japão, 1957). Direção: Yasuzô Masamura. Rot. Adaptado: Kazuro Funabashi, baseado no romance de Matsutarô Kawaguchi. Fotografia: Joji Ohara. Música: Tetsuo Tsukahara. Montagem: Tatsuji Nakashizu. Dir. de arte: Tomoo Shimogawara. Com: Hiroshi Kawaguchi, Hitomi Nozoe, Aiko Mimasu, Eitarô Ozawa, Sachiko Murase, Saiko Mima, Kazuko Wakamatsu, Tanikaoro Shimizu.

Kinichi (Kawaguchi) encontra a jovem Akiko (Nozoe) quando vai visitar seu pai (Ozawa) na prisão. Ambos precisam de 100 mil yens para liberarem os pais da prisão. Kinichi passa um dia de diversão na praia com Akiko, após ganhar dineheiro apostando em uma corrida de bicletas. Porém, após uma discussão, o casal não retorna junto. Kinichi vai à procura de sua mãe (Mima), que encontrara ocasionalmente no hotel diante da praia na qual estava. Ela, depois de muita relutância, aceita emprestar o dinheiro para Kinichi. Esse encontra Akiko com um playboy que detesta apenas para conseguir o dinheiro. Os dois brigam e depois Kinichi entrega o cheque a Akiko e finalmente lhe diz que a ama. Junto à sua mãe, dão carona para Akiko e seu pai quando saem da prisão.

Esse filme parece ser uma curiosa mescla de elementos semelhantes ou mesmo antecipadores aos dos cinemas novos que começavam a surgir, sendo a figura raivosa de Kinichi algo semelhante ao dos angry young men que protagonizaram pouco depois os filmes do kitchen sink britânico, mesmo que aqui inexista uma dimensão de crítica social mais precisa. Também o modo irresponsável com que os jovens se entregam ao prazer em um momento difícil para ambos e o erotismo de alguns momentos são próximos dos filmes que descreviam a chamada “geração do sol” como os de Oshima. Porém, aqui tudo acaba soando mais convencional, sendo sintomático o paralelo entre o modo cada vez mais civilizado que Kinichi tratará Akiko – a misoginia na cultura japonesa será trabalhada de modo bem mais implacável em filmes como Conto Cruel da Juventude (1960), de Oshima – e a crescente coloração melodramática do filme, inclusive na sua trilha sonora, culminando em um pouco crível final feliz que sugere o surgimento de uma nova família, no qual até a insensível mãe demonstrará maior simpatia. A virada central do filme será o momento no qual Kinichi finalmente conseguirá expressar verbalmente seu amor por Akiko, o maior motivo de sua inquietude em relação a ele, ou seja, novamente corroborando as práticas do melodrama, para quem a verbalização será sempre sinônimo das reais intenções dos personagens, ao menos dos personagens de boa índole. É uma pena que o filme também se ressinta dessa maior aproximação com estratégias convencionais, pois sua maior força reside justamente no viço e frescor com que representa o encantamento inicial do casal e a intensidade desse momento de “libertação” das pressões cotidianas para ambos. Filme de estréia do realizador. Daiei Studios. 74 minutos.

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