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sábado, 11 de março de 2017

Filme do Dia: Inimigo Público (1931), William A.Wellman



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Inimigo Público (Public Enemy, EUA, 1931). Direção: William A. Wellman. Rot. Adaptado: Harvey F. Thew, baseado no conto Beer and Blood, de Kubec Glasmon & John Brighton. Fotografia: Devereaux Jennings. Música: David Mendonza. Montagem: Edward M. McDermott. Dir. de arte: Max Parker. Figurinos: Edward Stevenson. Com: James Cagney, Jean Harlow, Edward Woods, Joan Blondell, Donald Cook, Leslie Fenton, Beryl Mercer, Robert Emmett O`Connor, Murray Kinnell, Frank Coghlan Jr., Frankie Darro.

Tom Powers desde garoto (Coghlan Jr.) demonstrou talento para pequenas malandragens e furtos com o inseparável amigo Matt Doyle (Darro). Sua “ascensão” na carreira de criminoso se dá anos depois, na Chicago dos anos 1910,  com o convite de Neils Nathan  (Fenton) para fazer parte de seu bando. Tom se torna um temido gangster que consegue fazer com que a violência impere juntamente com a cerveja do industrial que financia todos e possui bastante sangue-frio para assassinar o seu antigo líder Paddy Ryan (O´Connor) quando se faz necessário. Suas atividades criminosas não são bem vistas pelo irmão que lutou na I Guerra Mundial, Mike (Cook), que procura afastá-lo do contato com a mãe viúva. Porém, a morte de Neils Nathan em uma acidente provoca uma reviravolta no grupo. Alertados para entregar todo o dinheiro e armas e desaparecerem por um tempo, a quadrilha se refugia em uma casa. Porém, num acesso de raiva Tom sai da casa com Matt e se tornam vítimas de um atentado pela quadrilha rival. Tom escapa e, ferido no hospital, reconcilia-se com a família que o aguarda  ansiosamente de volta ao lar. Porém é sequestrado do hospital e morto.

Esse filme juntamente com Little Ceaser, produzido no mesmo ano, divide o mérito de praticamente ter instituído um gênero, o do filme de gângster, talvez um pioneirismo ainda mais marcante que o de Frankenstein, do mesmo ano,  para os filmes de terror, no sentido de que  no último caso o gênero já existia no cinema mudo. Todos os elementos já se encontram aqui presentes, inclusive a relação ambígua com o protagonista-marginal. Ao mesmo tempo em que mensagens no início e final do filme reiteram a sordidez de tipos como Tom, como forma de apaziguar o ânimo da censura da época, o que a narrativa apresenta é justamente uma construção que não só cria uma certa identificação com o personagem quanto se rende obviamente ao que há de atraente em toda sua violência e anti-sociabilidade, expressa de maneira modelar pela personagem da amante de Tom, vivida por uma Jean Harlow que ainda não havia conquistado o auge de sua meteórica carreira, ao afirmar que já tivera “dúzias de homens”, mas todos bastante polidos e sem a agressividade máscula de Tom. Tanto quanto em Scarface – A Vergonha de uma Nação (1932), de Howard Hawks, outro filme seminal do gênero e que conseguiu sobreviver bem melhor ao tempo, o título do filme e sua referência ao papel destrutivo dos gângsteres para a própria nação são outras estratégias que dizem mais respeito a se relacionar com os códigos morais de então que particularmente apropriado, já que tanto em um caso como noutro – e aqui, principalmente – pouco se tem da dimensão pública e nacional que os atos de Tom ou mesmo da vida dos gangsteres através da imprensa ou do que seja provocam. O filme prefere muito mais enfatizar a dimensão do melodrama familiar e, nesse sentido, os ecos dessa estrutura calcada no drama familiar e na tentativa frustrada de regeneração se encontram em filmes tão distantes quanto, por exemplo,  Lúcio Flávio – Passageiro da Agonia (1977), de Babenco. Entre as cenas mais célebres se encontram a que Tom estapeia uma de suas companheiras com comida na mesa e a que retruca a ira do irmão sobre seus crimes, que ele tampouco conquistou sua medalha de honra na guerra fazendo afagos aos alemães, sendo um motivo a mais na “humanização do personagem” ao deixar evidente que a sociedade apenas aceita o assassinato em situações específicas. Destaque para a relação de inferioridade que Tom expressará no leito do hospital, ao afirmar para a mãe que ele soube que ela sempre gostou mais do irmão. Guindando Cagney como figura mítica do cinema americano a partir de então, tornou-se um filme inúmeras vezes referenciado, inclusive de forma paródica em Quanto Mais Quente Melhor (1958), de Billy Wilder. Warner Bros. 83 minutos.

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