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quinta-feira, 9 de março de 2017

Filme do Dia: Juventude (2015), Paolo Sorrentino

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Juventude (Youth, Itália/França/Reino Unido/Suiça, 2015). Direção e Rot.Original: Paolo Sorrentino. Fotografia: Luca Bigazzi. Música: David Lang. Montagem: Cristiano Travaglioli. Dir. de arte: Ludovica Ferrario, Daniel Newton & Marion Schramm. Figurinos: Carlo Poggioli. Com: Michael Caine, Harvey Keitel, Rachel Weisz, Paul Dano, Ed Stoppard, Jane Fonda, Alex Macqueen, Madalina Diana Ghenea, Roly Serrano.
Fred Ballinger (Caine) é um maestro aposentado que recebe um emissário da rainha (Macqueen), que quer vê-lo novamente executar suas Simple Songs, que ele recusa terminantemente. Ele se encontra hospedado em um hotel de luxo, com o amigo de décadas e cineasta Mick Boyle (Keitel), que planeja seu filme-testamento e com a filha Lena (Weisz), também sua assistente. Próximo de Ballinger se encontra o ator Jimmy Tree (Dano), ressentido pelo fato de ser somente lembrado pelo papel de robô em um filme que considera menor em sua carreira. O casamento de Lena com o filho de Boyle acaba, após esse afirmar ter encontrado uma mulher com que se relaciona melhor na cama.
Como de praxe em sua carreira, Sorrentino desfia um rosário de platitudes e pretende que com os enquadramentos e movimentos de câmera rebuscados somados a alguns chistes esteja realizando algo profundo. Porém, não o é e nem tampouco funciona como pastiche do profundo, o que em certa medida também pretende ser. Michael Caine consegue uma elevada interpretação mas, para além dele, e talvez de sua filha e do personagem de seu melhor amigo, apenas existem tipos chapados que servem como plataforma para os habituais preconceitos e tiradas irônicas do realizador na boca de seus personagens principais – como que escutando as possíveis críticas de sua produção anterior, A Grande Beleza, aqui existe um movimento em quem é vítima do escárnio consegue eventualmente – e com sucesso – contra-atacar, como é o caso da Miss Universo que cala rápido o sarcasmo que lhe é endereçado por Jimmy Tree. E até mesmo se permite um momento em que Ballinger demonstra um grau de humanidade habitualmente ausente dos protagonistas de Sorrentino, ao recusar emocionado os apelos de uma segunda visita do emissário da rainha, apresentando enfim o motivo de sua recusa, o fato das composições terem sido escritas para sua inválida esposa, Melanie, e que somente ela poderia canta-las enquanto se encontrar viva. Porém, trata-se de breves piscadelas que não ocultam a pretensão do filme ser uma expressão da “grande arte”, cujos obscenos vídeos de uma produzida ídola pop servem como contraponto a se rir e exorcizar. Mesmo que de forma mais discreta, as referências aos tipos fellinianos persiste, sendo que a situação mais evocativa do mesmo a que mulheres de tipos variados surgem na imaginação de Boyle. O estilo fragmentado serve como uma luva para Sorrentino apresentar suas soluções pretensamente cômicas, que por vezes beiram o humor involuntário de tão clichês, como o chilique no avião dado pela diva de Fonda. Nunca ela ou Caine foram observados com uma pele tão visivelmente enrugada, muito provavelmente devido a maquiagem e/ou dublês de corpo. Dedicado a Francesco Rosi. Primeiro filme falado em inglês do cineasta. Indigo Film/Barbary Films/Pathé/France 2 Cinéma/Number 9 Films/C-Films AG. 124 minutos.

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