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terça-feira, 7 de março de 2017

Filme do Dia: Lorca (1996), Marcos Zurinaga

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Lorca (Lorca, Espanha/França/EUA/Porto Rico, 1996) Direção: Marcos  Zurinaga . Rot.Adaptado: Neil Cohen & Ian Gibson, baseado nos livros Juan Antonio Ramos. Fotografia: Juan Ruiz-Anchia. Música: Mark McKenzie. Montagem: Carole Kravetz . Com: Esai Morales, Andy Garcia, Edward James Olmos, Jeroen Krabbé, Miguel Ferrer, Giancarlo Giannini, Marcela Walerstein, José Coronado, Naim Thomas.
              1954. Ricardo (Morales) retorna de Porto Rico a Granada, Espanha, para tentar desvendar o mistério do assassinato do maior dramaturgo e poeta espanhol do século, Federico Garcia Lorca (Garcia), em 1939. Leva consigo todo o trauma das recordações que vão do encontro fortuito com Lorca quando garoto (Thomas), após apresentação conturbada de uma peça sua, quando Lorca o convida para jantar com seus amigos, sendo levado pelo pai, Roberto Lozano (Olmos), até o assassinato do melhor amigo de infância, também aficcionado por Lorca  (quando, em meio ao tiroteio, ficam sabendo da volta do poeta à Granada e resolvem ir atrás deste) e o pai que chega certa noite ensaguentado em casa, resolvendo partir da Espanha. Ao chegar, sempre levado pelo mesmo taxista (Giannini), Ricardo torna-se hóspede de Coronel Aguirre (Krabbé), pai de seu melhor amigo e recebendo o conselho de Maria Eugenia (Walerstein), sua filha e amiga de infância,  que afirma que este deve procurar Nestor Gonzalez (Coronado) em um cabaré. Embora seja grosseiro inicialmente com Ricardo, Gonzalez lhe indica quem ele acredita ser responsável pela morte de Lorca, aquele que foi buscá-lo em sua residência no dia de seu desaparecimento, e que agora publica as obras de Lorca em sua editora em Madri. Contactando com o editor, este lhe afirma que tentara proteger Lorca, mas nada pode fazer frente a fúria de Centeno (Ferrer). Ao retornar de Madri, Ricardo percebe que está indo longe demais. Uma das prostitutas que conversara com ele no cabaré é espancada e Nestor Gonzalez abandona assustado a cidade. Apesar das súplicas do pai e de Aguirre, assim como do taxista, para que retorne, Ricardo vai adiante nas investigações, sendo surpeendido na cama com Maria Eugenia e levando uma surra de Centeno. Resta-lhe encontrar-se com a última peça, um toureiro amigo de Lorca, que lhe conta toda a verdade: Centeno havia sido incubido de assassinar Lorca, mas não consegue matá-lo, quando o  Cel.Aguirre, chefe da milícia franquista, toma-lhe a arma e dá um tiro no poeta. O pai de Ricardo, bebâdo e rastejando, é o autor do segundo disparo. Na verdade, o sangue que vira através da porta entreaberta em sua casa, não se trata do sangue de seu pai torturado, mas do sangue de Lorca. Após um conflito com Centeno e Aguirre, onde Ricardo por pouco não mata um ou outro ou se suicida, e em que o toureiro, abalado, é atingido pelo touro, Ricardo volta a Porto Rico, onde casa-se com Maria Eugenia e, em uma comemoração de aniversário, demonstra um certo mal-estar quando cruza o olhar com o de seu pai.
Acadêmico e procurando unir pretensões artísticas a um cinema comercialmente viável, o filme de Zurinaga, não consegue ser bem sucedido nem artisticamente nem enquanto produto comercial. Tudo lhe pesa ao contrário: o fraco roteiro, que procura assimilar elementos do thriller noir para criar um certo suspense na investigação de Ricardo, mas que acaba sendo toscamente mecânico e pouco original (Bertolucci conseguira melhores resultados, em um enredo semelhante, com o já fraco A Estratégia da Aranha); o fato de ser falado em inglês, visando notadamente o mercado americano, e pouco se importando para o fato de que todos os espanhóis, inclusive um dos maiores nomes de sua literatura, simplesmente deixem de lado sua língua é cruel; as interpretações sofríveis, com destaque para a especial canastrice de Morales; a utilização mais que acadêmica do flashback, deixando uma sensação enorme de deja vú (quantos filmes já não assistimos com estrutura diametralmente simétrica?); atenuação dos conflitos históricos, que são deixados de lado, em toda sua complexidade,  para que o maniqueísmo fácil deixe bem nítido quem são os heróis e quem são os vilões da história; happy-end tradicional, etc. De positivo resta pouco mais que a interpretação do grande veterano Gianini, neste filme que soa tão falso quanto a poesia que Garcia exclama no início do filme, assim como a descrição de um mesmo episódio - a captura de Lorca pela milícia franquista - que ganha colorações diferentes segundo o ponto de vista de quem narra (enfrentando-a destemidamente, segundo o relato de sua irmã, ou fragilizado e aterrorizado segundo o editor de seus livros). Certamente indigno do nome que carrega como chamariz. Columbia. 142 minutos.


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