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domingo, 9 de abril de 2017

Filme do Dia: Cidadão Klein (1976), Joseph Losey



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Cidadão Klein (Monsieur Klein, França/Itália, 1976). Direção:  Joseph Losey. Rot. Original: Franco Solinas. Fotografia: Gerry Fisher &  Pierre-William Glenn. Música: Garry Fischer & Egisto Macchi. Montagem: Henri Lanoë. Dir. de arte: Olivier Girard &  Alexandre Trauner. Figurinos: Annalisa Nasalli-Rocca. Com: Alain Delon, Jeanne Moreau, Suzanne Flon, Michel Aumont, Jean Champion, Juliet Berto, Massimo Girotti, Louis Seigner.

              Na Paris da Segunda Guerra, Robert Klein (Delon) recebe uma carta de uma revista que circula no meio judaico. Vivendo até então, em boa parte, do lucro que lhe gera a venda de obras de arte que são desfeitas por judeus em desespero, ele também é ironicamente alertado sobre seu futuro por um de seus clientes. Desconfiado de que se trata de um engano, procura a polícia, onde nenhum policial demonstra aparentemente se interessar a fundo por seu caso. Cada vez mais se interessa em descobrir sobre esse outro Robert Klein que vive em condições miséria. Encontra coincidentemente com os investigadores policiais. A locatária lhe indaga se ele não é Robert Klein, seu inquilino, já que nunca o vira de perto, e ele parecia corresponder a aparência física de Klein. Ele afirma à polícia que, na verdade, apenas procura conhecer o apartamento, já que um amigo seu encontra interessado. Obcecado em investigar sobre o misterioso Klein, e tentando provar à polícia de que não tem sangue judeu, ele investiga suas origens. Seu avô lhe afirma que a família é católica desde dois séculos atrás e que esse outro Klein deve pertence a um ramo holandês da família, com o qual ele nunca teve muito contato. Quando vai ao castelo de Florence (Moreau), falam criptograficamente. Ela e seu esposo são amigos de Klein. Certo dia tem uma crise nervosa, ao chegar em casa e encontrar a polícia levando seus bens. Ele indaga sobre qual interesse ele teria de iniciar uma investigação sobre si próprio se ele fosse o Klein que eles imaginavam. Um policia afirma que pode ser um tática de despiste. Tendo revelado uma foto em que Klein aparece junto de uma moça - que é conhecida por vários nomes, entre eles Cathy e Jeanine (Flon) -  e um pastor alemão, ele tenta encontrar seu paradeiro sem sucesso. Não suportando mais a ausência dele, sempre comentando a respeito de Klein,  sua amante o abandona. Com ajuda de seu advogado consegue vender o resto de seus bens e conseguir um passaporte falso para abandonar o país. Porém quando entra no compartimento do trem, encontra Jeanine, a quem também nomeia todos os outros. Ele afirma que a conhece por Klein, porém essa afirma que ele certamente não conhece Klein, senão o teria percebido na estação e lhe dá um tapa. Voltando para Paris, ele vai a casa de seu advogado onde liga para o apartamento de Klein, após ter descoberto que ele sempre lá estivera, e marca um encontro com o mesmo. Porém quando chega próximo do local, testemunha a prisão de Klein. No dia seguinte seu destino será o mesmo. Seu advogado, no último momento, afirma que se encontra com os papéis que o inocentam, mas ele é arrastado pela turba e se dirige para os campos de concentração no mesmo trem que o judeu que lhe admoestara sobre seu futuro.

Afastando-se de pretensões realistas, o cineasta se aproxima de um certo tom fantástico kafkaniano. O filme é uma parábola dos judeus ricos que, conseguindo ou não se safar da opressão nazista, procuraram de toda forma, porém sem sucesso, renegar suas origens judaicas. Ao se obcecar pela figura de seu duplo, o Klein judeu, o protagonista acaba por assumir essa identidade anteriormente renegada e sofrer todas as suas consequências radicais que o levarão a morte. Produzido por Delon, que curiosamente vivenciara um personagem de duplo, de uma forma que ainda mais nitidamente delineava se tratar de uma mesma personalidade dividida, no episódio dirigido por Louis Malle para Histórias Extraordinárias (1968). Adel Productions/Lira Films/Mondial Televisione Film/Nova Films. 123 minutos.

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