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segunda-feira, 10 de abril de 2017

Filme do Dia: No Silêncio de uma Cidade (1956), Fritz Lang


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No Silêncio de uma Cidade (While the City Sleeps, EUA, 1956). Direção: Fritz Lang. Rot. Adaptado: Casey Robinson, a partir do romance The Bloody Spur, de Charles Einstein. Fotografia: Ernest Lazslo. Música: Herschel Burke Gilbert. Montagem: Gene Fowler Jr. Dir. de arte: Carroll Clark. Cenografia: Jack Mills. Figurinos: Norma Koch. Com: Dana Andrews, Rhonda Fleming, George Sanders, Ida Lupino, Howard Duff, Thomas Mitchell, Vincent Price, Sally Forrest, John Barrymore Jr., James Craig,  Mae Marsh.

Com um assassino serial (Barrymore Jr.) aterrorizando as noites de Nova York, tendo como vítimas belas mulheres, o recém-empossado magnata da imprensa, Walter Kyne (Price), promete um alto cargo ao primeiro que conseguir um furo significativo sobre o caso.  Se encontram no páreo o chefe do departamento de rádio Mark Loving (Sanders), o editor-chefe do jornal John Griffith (Duff) e o chefe do departamento de fotografia Harry Kritzer (Craig). Um dos que não se sente  particularmente motivado é o repórter Ed Mobley (Andrews) que, ao mesmo tempo, procura salvar o seu noivado com a jovem Nancy Ligget (Forrest). Enquanto Griffith e Loving disputam a informação privilegiada de Mobley, por conta de sua relação de amizade com o chefe de polícia Burt (Duff), Kritzer pretende ascender através de sua relação extra-conjugal com a esposa do magnata Walter Kyne, Dorothy (Fleming). Mobley se dirige diretamente ao assassino na televisão, porém a publicidade em torno de sua vida íntima, que inclui uma escapada com a colunista social da empresa onde trabalha, Mildred (Lupino), orientada pelo rival desse, Loving, gera publicidade negativa para si e um abalo em sua relação com Nancy. Mobley tem um insight repentino sobre a próxima vítima do assassino ser morta a luz do dia e imediatamente pensa no risco que corre Nancy. O assassino de fato se dirige ao hotel onde se encontra Nancy, tenta se passar por Mobley, mas acaba conseguindo entrar em um apartamento vizinho, onde se encontra Dorothy, que tem sua relação extra-conjugal ameaçada de vir a público com a presença da colunista Mildred.

Ao contrário de outros filmes de Lang, o assassinato e as relações éticas da sociedade como um todo se torna menos explícita ao se secundarizar a trama que envolve o assassino (uma espécie de versão com preferência por adultas de M) em meio a tantas outras. Aparentemente, a adaptação do romance não primou exatamente por uma maior concisão e se, por um lado, isso acaba beneficiando a trama, ao trazer uma redação de jornal no qual o micro-cosmo que o povoa serve como exemplar da perfídia humana e da concorrência irrestrita antecipando, ao modo então prevalente, tramas como a de Rede de Intrigas, em algumas décadas, por outro a torna igualmente pouco clara e concisa. Se o estilo visual, já a partir do belo primeiro plano de uma rua úmida e sombria, assim como a (falta de) moral de seus personagens, que não excluem a presença de uma femme fatale encarnada por Lupino, sugerem um flerte com o cinema noir, esse se dilui diante das opções idiossincráticas de Lang, mesmo que com todos os limites impostos pelo sistema de produção. Seu super-elenco é pouco típico do período, sobretudo em produções semelhantes, sendo mais próximo do ritmo de produção da década seguinte (sinal de prestígio de Lang, um diretor conhecido por ser ranzinza habitualmente com seus elencos?). De toda forma, e quase indigno de nota tal o quanto salta aos olhos de qualquer espectador pós-clássico, é não apenas a compressão como a coincidência da sobreposição de personagens em situações-chaves, como é o caso de Dorothy e Nancy não apenas dividirem o mesmo andar de um hotel, como não apenas a última, a quem o assassino seguira, como a primeira, terem sido vítimas de seu assédio. O mesmo vale para a “tomada de consciência” do herói em relação ao risco que corre sua amada. A desnecessária inclusão da morte inicial do magnata, sendo veiculada em questão de minutos pelo próprio Mobley, única testemunha da mesma, soaria quase como material para deboche nas mãos de um Almodóvar. RKO Radio Pictures. 100 minutos.


Um comentário:

  1. É um filme que preciso rever. Não gostei. Mas a cópia ao meu dispor estava em péssimas condições. Abraços.

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