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sábado, 6 de maio de 2017

Filme do Dia: Leonera (2008), Pablo Trapero

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Leonera (Argentina/Brasil/Coréia do Sul, 2008). Direção: Pablo Trapero. Rot. Original: Alejandro Fadel, Martín Mauregui, Santiago Mitre & Pablo Trapero. Fotografia: Guillermo Nieto. Montagem: Ezequiel Borovinsky & Pablo Trapero. Dir. de arte:  Coca Oderigo. Figurinos: Marisa Urruti. Com: Martina Gusman, Elli Medeiros, Rodrigo Santoro, Laura García, Tomás Plotinsky.
Julia (Gusman) é acusada do assassinato de um dos homens que vivia com ela, Nahuel. O outro, Ramiro (Santoro), mesmo achando que ela não é culpada decide acusá-la, para poder inocentar a si próprio. Ambos, em um momento ou outro tiveram relação com Julia, ainda que ela afirma ser o filho de Nahuel.  Julia cria o filho com ela na prisão e recebe um apoio crescente da vizinha Marta (García), que se transforma numa relação que sofre com a partida de Marta. Julia vai a julgamento, mas é condenada. E além da separação de Marta, agora terá que lidar com a separação de seu próprio filho, pela avó.  Deprimida e confusa, ela leva que as mulheres da penitenciária provoquem um motim.  A partir de uma ocasião em que parte da prisão com um indulto, Julia decide radicalmente mudar sua vida.

Trapero faz uma opção aberta, não de toda estranha na produção contemporânea independente, por uma proximidade maior em acompanhar o universo afetivo de sua protagonista do que explorar as evidentes possibilidades mais afeitas a um cinema de gênero convencional – pouco se sabe, por exemplo, a respeito da própria vida de Julia com os dois rapazes e muito menos o que efetivamente ocorreu no dia da morte de Nahuel, como se o realizador não tivesse nenhum pouco preocupado no fato de Julia ser assassina ou não, afastando qualquer perspectiva moral que a condenaria ou absolveria do fato. O filme certamente perde em sua metade final, quando abandona sua crônica do cotidiano da prisão e passa a ceder a elementos mais espetaculares tais como a rebelião das presidiárias, longe de verossímil ou efetivamente incorporada de modo orgânico ao restante da narrativa. Trapero trabalha a partir de um registro bem mais convencional, incorporando a elipse e o descaso com elementos dramáticos que criam uma maior expectativa de resolução ou definição, que já havia utilizado de modo mais radical em um filme mais interessante, Do Outro Lado da Lei, possuindo aqui uma maior submissão ao universo realista que explora do que a sua própria dimensão estética-narrativa tal como o filme anterior. Gusman, esposa do realizador, consegue uma afinada interpretação, ainda que a explosão da personagem por conta de se achar vitimizada e sua reação histérica tendem a perder qualquer efeito maior por conta de toda uma tradição associada com instituições repressivas tais como prisões ou hospitais psiquiátricos, em filmes como Um Estranho no Ninho ou Bicho de Sete Cabeças. Matanza Cine/Patagonik Film Group/Cineclick Asia/Videofilmes. 113 minutos. 

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