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segunda-feira, 10 de julho de 2017

Filme do Dia: O Homem do Sputnik (1959), Carlos Manga


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OHomem do Sputnik (Brasil, 1959). Direção: Carlos Manga. Rot. Original: José Cajado Filho. Fotografia: Ozen Sermet. Música: Radames Gnatalli. Montagem: Walemar Noya. Cenografia: José Cajado Filho. Com: Oscarito, Cill Farney, Zezé Macedo, Neide Aparecida, Hamilton Ferreira, Heloísa Helena, Alberto Peres, Norma Bengell
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O provinciano Anastácio (Oscarito), cujo maior sonho é comprar uma chocadeira para suas galinhas, vive uma vidinha sem maiores novidades com sua esposa Deocleciana (Macedo), até a noite em que um objeto não identificado cai em seu galinheiro. Anastácio descobre tratar-se do famoso satélite Sputnik, que se encontraria recheado de ouro. Enquanto Anastácio não modifica suas ambições iniciais, a esposa só pensa em seu reconhecimento pela sociedade colunável. A fama do evento chega nas bocas e mentes dos mais diversos tipos. De um cronista social honesto, Jacinto (Farney), mas igualmente de um inescrupuloso, assim como das grandes potências. Já celebrizados pela imprensa, Anastácio e sua esposa hospedam-se no Copacabana Palace. Logo serão vizinhos de um grupo de russos, americanos e franceses ávidos por porem as mãos no Sputnik. Enquanto os russos pretendem se passar por honestos e os americanos pagarem um melhor preço, os franceses apelam para sua famosa moda e uma amante no estilo Brigitte Bardot (Benguell), para seduzir respectivamente Deocleciana e Anastácio. Quando todos acreditam que se encontram em vias de pôr as mãos no satélite, descobrem que o vigário local o colocou no topo da igreja e que ele não era na verdade o Sputnik. Logo depois, aparentemente o verdadeiro satélite cai no galinheiro do casal, que prefere, dessa vez, ignorar a situação.

Embora a chanchada tenha sido um gênero intelectualmente limitado, essa produção que é considerada talvez seu melhor exemplar, consegue efetivar uma saborosa crônica cômica da Guerra Fria, dentro dos moldes explicitamente paródicos que celebrizou o estilo das produções da Atlântida, porém sem agora apoiar seu enredo nos números musicais. O estilo galhofeiro, em que personagens caricaturam estereótipos de russos, franceses e americanos, inclusive no sotaque é herdeiro de influências díspares como o teatro de revista e cinema americano (sendo Cupido Não Tem Bandeira, de Billy Wilder, realizado dois anos após, uma referência bem próxima). Seu final pode ser interpretado como um retrato conformado da realidade sociocultural do país, onde o casal, já tocado pela sede de mudança que traz a modernidade e a riqueza, prefere esquecer tudo e continuar com sua pachorrenta vidinha de antes. Curiosamente, embora tenha sido um dos maiores sucessos de crítica da chanchada, foi igualmente um de seus últimos exemplares.  Atlântida. 98 minutos.

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