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sábado, 5 de agosto de 2017

Filme do Dia: Ida (2013), Pawel Pawlikowski



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Ida (Polônia/França/Dinamarca/Reino Unido, 2013). Direção: Pawel Pawlikowski. Rot. Original: Pawel Pawlikowski & Rebeca Lenkiewicz. Fotografia: Ryszard Lenczewski & Lukasz Zal. Música: Kristian Eidnes Andersen. Montagem: Jaroslaw Kaminski. Dir. de arte: Marcel Slawinski, Katarzyna Sobanska-Strzalkowska & Jagna Dobesz. Figurinos: Ola Stazsko. Com: Agata Trzebuchowska, Agata Kulesza, Dawid Ogrodnik, Jerzy Trela, Adam Szyszkowski, Halina Skoczynska, Joanna Kulig, Dorota Kuduk.

1962. Anna (Trzebuchowska) vive em um convento desde pequena. Certo dia, próximo de prestar seus votos como freira, ela recebe uma incumbência da Madre Superiora (Skoczynska) de conhecer sua única parente viva, uma tia, Wanda (Kulesza). Wanda lhe conta ser ela judia. Juntas partem para o vilarejo onde seus pais e seu irmão foram mortos. No caminho, dão carona a um jovem saxofonista, Lis (Ogrodnik), que Wanda insinua para Anna. Após certo tempo chegam a Szymon (Trela), filho do homem que abrigou e provavelmente assassinou os pais de Anna, que indica seu pai. Eles o visitam no hospital, mas esse não fala muito. Szymon faz um trato com Anna que se ela não voltar a perturba-los e nem fizer questão da propriedade, ele a levará ao local onde foi enterrada sua família. E o faz. As duas levam os restos mortais e o enterram em um cemitério judaico. A situação leva a uma breve aproximação entre as duas mulheres, mantidas à distância sobretudo pelo rigor de Anna que, mesmo sentindo-se atraída por Lis, desaprova o comportamento da tia, alcoólatra e sempre a procura de homens. A tia a leva de volta ao convento e Anna lhe indaga se ela estará presente a sua consagração. Wanda diz que beberá em sua homenagem. Pouco depois, Wanda se suicida. Anna visita seu apartamento, traveste-se como a tia, bebe e fuma. E em seu enterro reencontra Lis, com quem passa uma noite. Porém, indagada sobre qual será o futuro deles, prefere voltar a se vestir como freira e partir de volta ao convento.

Com uma fotografia em p&b de tirar o fôlego de tão bela que é, ao mesmo tempo evocativa do cinema polonês que era produzido à época em que a história se passa e aparentando servir (tal como o tema Ich Ruf Zu Dir Her Jesu Christ de Bach, escutado ao final, presente em Solaris) igualmente como um passaporte para uma evocação mais discreta de uma transcendência, uma preocupação do início ao final da carreira de Tarkovski. Apresentando seus eventos de forma distanciada e comum ao cinema moderno, mas sem abdicar da música, inclusive original, que ocasionalmente surge, o filme suscita indagações sobre os efeitos que retrata em sua protagonista – o fato de Ida abraçar o credo justamente daqueles que massacraram sua família somente é referido, com ironia e indiretamente, uma única vez. Inicialmente se poderia pensar na “redenção” ao inverso que a tia teria legado a Anna, no momento em que parece disposta a se afastar da vida religiosa, após a morte da mesma. Porém, não é o que ocorre. E a saída da mesma, depois do rápido diálogo travado com Lis, sugere seja uma rejeição ao enfrentamento da vida mundana – o mesmo faz referência às dificuldades que enfrentarão, como toda vida em comum – para alguém que passou a vida toda recolhida, seja o quão pouco atrativo parece tal mundo diante da alternativa que já se encaminhava. Por algum momento, vislumbra-se o olhar de Anna ao corpo de relance de outras das noviças sendo banhada. O contraplano desse olhar que a apresenta algo envergonhada, sugere a lembrança (tensão?) do “desejo carnal”, tal como evocado pela tia no carro? Destaque para a bela e expressiva Joanna Kulig cantando “Love in Portofino”, um dos grandes sucessos na voz de Dalida. Opus Film/Phoenix Film Invest./Canal+ Polska/Phoenix Film Poland. 82 minutos.

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